Nos últimos anos temos assistido o declínio de nossa empresa. O prestigio acumulado durante anos de trabalho duro tem sido jogado no lixo de forma avassaladora pela política inconseqüente da direção de empresa, principalmente dos ex-diretores que vieram de fora da casa. Porém, não eximo a responsabilidade dos diretores da casa, pois, como sabemos a Direção é colegiada.
Um jogo de interesses e de vaidades colocou a ECT em rota de colisão com o interesse público. O povo espera do Correios uma prestação de serviços adequada em todo Brasil. Ainda que a população defenda a ECT pública, isto somente se mantém se os Correios cumprir sua missão de prestar serviços postais de qualidade em todo o território nacional. Infelizmente não estamos atendendo a população com o respeito que ela merece. O desgoverno na ECT precede a crise atual e se desenvolve durante todo o governo Lula. Basta lembrar a greve de 21 dias em 2008, onde um ministro de estado assinou com o presidente da empresa, aos olhos do Presidente da República, um acordo com os trabalhadores e depois não queria cumprir. Aquele episódio já era o prenúncio do caos que a ECT viria a ser acometida.
As brigas na direção da empresa eram freqüentes, cada vez mais se chocavam presidente e diretor de recursos humanos. A disputa acerca do concurso público expôs a ECT às mais duras perdas, associado a isto a implantação do PDI (PROGRAMA DE DEMISSÃO INCENTIVADA). A presidência e a diretoria de recursos humanos travaram verdadeira batalha sobre este tema. Diga-se de passagem, a mudança centralizando o concurso em Brasília foi a pior decisão que a gestão poderia tomar. Mudaram o que funcionava bem, colocando todo o processo de contratação de novos funcionários em risco.
Estima-se que hoje a ECT necessite de, no mínimo, 25 mil trabalhadores para tocar de forma descente os serviços postais. Ao invés disso, tivemos o edital cancelado, e novo edital para abrir inscrições em janeiro, com previsão de contratação para junho de 2011.
O processo de licitação para franqueados demonstra outra incapacidade da ECT em resolver a questão. Estes por sua vez continuam a ter grande lobby em Brasília, percorrendo os gabinetes parlamentares em busca de melhores vantagens contratuais. A indefinição neste processo colocou uma força tarefa da ECT para preparar a substituição, mas na hora “H” um recuo, sabe lá a qual interesse.
Seria cômico se não fosse trágico. Mais uma vez os Correios entram na disputa eleitoral de 2010, como estatal problema. Já em 2006, o episódio do mensalão, com a CPI dos Correios, foi motivo de debates acirrados.